Ser cristão é também percorrer um longo caminho de descobertas. A cada passo, graça e conhecimento se somam à nossa jornada rumo à Cidade Celestial — e esse conhecimento funciona como uma luz: ilumina onde pisamos e dá forma ao modo como enxergamos o mundo.
Quando falamos de conhecimento, ou de sabedoria, dentro do cristianismo, convém reconhecer que existem níveis muito diferentes. Não digo isso para sugerir que haja um saber superior, secreto, capaz de tornar uns cristãos mais elevados do que outros — essa seria, no fim das contas, uma forma de gnosticismo, e portanto heresia. Digo apenas que, ao entrarmos no mundo da teologia, nos deparamos com inúmeras ramificações, e que algumas pessoas mergulham mais fundo em certas áreas do que outras.
No início da caminhada, basta o que podemos chamar de conhecimento basilar: aquilo que é tão caro à fé que dela é inseparável. Faz parte desse núcleo a consciência do nosso estado caído — de que toda a humanidade está morta em seus delitos e pecados, afastada de Deus e sujeita à sua ira. Faz parte, também, saber que Deus nos amou apesar da nossa natureza corrompida e enviou ao mundo o seu Filho amado, o Senhor Jesus Cristo, para nos redimir da culpa e nos salvar da ira vindoura, fazendo-nos participantes do seu Reino de luz. Em Jesus temos a redenção dos pecados e a salvação. E faz parte, ainda, reconhecer que o Espírito Santo é Deus, habita em nós, age em nós e por nós, e intercede ao Pai em nosso favor.
À primeira vista, para o cristão maduro, esses pontos parecem simples. Mas são exatamente eles o essencial: é crendo que Jesus é o Messias enviado para o perdão dos pecados, e confessando-o como Senhor e Salvador, que alguém é salvo. Tudo isso vem muito antes das discussões sobre livre-arbítrio, predestinação, soteriologia e tantos outros ramos do pensamento teológico — muito antes, enfim, de as coisas se complicarem.
Honestamente, muita gente permanece a vida toda nesse conhecimento basilar, sem se ocupar de outros temas. E são, sem nenhuma dúvida, cristãos genuínos, que experimentam uma fé real e uma caminhada verdadeira com Jesus.
Há, porém, os curiosos: os que sentem sede de saber, de perguntar, de buscar respostas. Para esses, o estudo teológico se torna uma forma de contemplar as nuances do modo como Deus opera todas as coisas. E aqui surge uma constatação curiosa — quase nada do que se pensa em teologia é, a rigor, novo. Acredite: tudo o que poderia ter sido pensado, elaborado ou debatido já o foi de alguma maneira. A teologia cristã carrega séculos de documentos, opiniões e histórias registradas, de modo que aquilo que temos hoje costuma ser uma variação de algo já dito antes. Até as heresias atuais são, em geral, heresias antigas vestidas com a roupagem do nosso tempo.
Isso deveria nos encher de respeito. Quem sai do conhecimento basilar para se aprofundar nunca corre o risco de ser o primeiro a descobrir — quanto mais a inventar — alguma coisa. É como caminhar iluminado pela lanterna de quem veio antes.
E, ao avançar, o cristão inevitavelmente se alinha a uma corrente ou a outra. Isso é normal. Seja por afinidade, por questões identitárias, sociais ou mesmo políticas, ele quase sempre encontra um grupo teológico para chamar de seu.
Quando digo que não há nada de novo na teologia, não estou dizendo que ela esteja morta. Pelo contrário: a teologia é praticamente um organismo vivo. Se ela trata de Deus, e Deus é infinito, então ela também tende ao infinito — pois jamais compreenderemos a totalidade d'Ele. Mesmo sem novidades absolutas, a teologia foi se moldando às diferentes épocas, lugares e sociedades, e disso nasceram o que poderíamos chamar de ramificações: galhos de uma mesma árvore.
Tome a doutrina do pecado original. É consenso entre os cristãos — e, ainda assim, há interpretações diversas sobre ela. O mesmo vale para o livre-arbítrio, para a graça de Deus e até para o que exatamente Jesus realizou na cruz. Ou seja: um pensamento teológico raramente permanece preso à sua primeira formulação; ele é discutido, lapidado e amadurecido com o tempo. E isso está longe de ser um defeito. Esse desenvolvimento é fruto de mentes que quiseram conhecer melhor a Deus — homens e mulheres que produziram grandes obras para a sua glória e corrigiram interpretações equivocadas pelo caminho. Cada contribuição virou uma pedra da estrada que hoje pisamos.
O que nos leva, enfim, à pergunta que dá título a este texto: o que é ser arminiano?
Se a teologia acompanha o ritmo dos tempos, da sociedade e de tantos outros fatores, fica difícil imaginar alguém perfeitamente fiel a um sistema que nasceu há séculos. É quase impossível, na verdade. Tendemos a seguir ramificações de uma corrente original — ramificações que, muitas vezes, já se ajustaram aos nossos próprios dias.
Raízes muito mais antigas que Armínio
Embora o arminianismo leve o nome de Jacó Armínio, o célebre pastor dos Países Baixos, suas ideias não foram invenção dele. Eram, antes, o eco de pensamentos bem mais antigos.
A tradição arminiana costuma traçar suas raízes até os primeiros séculos da Igreja. Naqueles primeiros quatrocentos anos, muitos dos pais desenvolveram um entendimento que hoje chamaríamos de sinergista: a convicção de que a corrupção humana é tão profunda que só uma graça preveniente — uma graça que vai adiante de nós — pode habilitar qualquer resposta a Deus. Lê-se algo dessa sensibilidade na Primeira Carta aos Coríntios, de Clemente de Roma, e no tratado Sobre o Arrependimento, de Tertuliano, que insistiam em que Deus estende a sua graça de modo precedente, plantando a semente da fé no coração antes de qualquer esforço humano. Cipriano de Cartago, no Testemunho a Quirino, reforçou a precedência dessa ação divina — leitura que ressoaria em Ambrósio de Milão e em Jerônimo que, na sua Carta a Ctesífon, sustentava que o livre-arbítrio depende, momento a momento, do auxílio de Deus.
Esse equilíbrio atravessou a Idade Média na pena de autores que, de certo modo, anteciparam os debates da Reforma. Anselmo de Cantuária, em Sobre a Liberdade do Arbítrio, afirmava a necessidade absoluta da graça sem abrir mão de que o arbítrio guarda a capacidade de resistir ao chamado divino. Bernardo de Claraval dedicou ao tema todo um tratado — A Graça e o Livre-Arbítrio —, e Honório de Autun defendeu uma predestinação condicional, fundada unicamente na presciência de Deus.
Quando a Reforma se consolidou, essa corrente encontrou eco em Filipe Melanchthon. Já depois da morte de Lutero, o reformador passou a defender uma forma de sinergismo — a salvação envolvendo o consentimento humano diante da Palavra — que daria origem à chamada controvérsia sinergista. Aqui vale a honestidade histórica: a própria tradição luterana, na Fórmula de Concórdia de 1577, mais tarde rejeitaria essa via e reafirmaria o monergismo na conversão. Ainda assim, o solo já estava preparado. O teólogo dinamarquês Niels Hemmingsen sustentou, de forma independente, uma soteriologia muito próxima daquela que Armínio viria a defender — e o próprio Armínio o menciona como alguém que partilhava de sua visão, sendo provável que dele tenha recebido influência.
Armínio, os remonstrantes e o Sínodo de Dort
Após a morte de Armínio, em 1609, seus seguidores na Holanda se organizaram para defender o legado contra a pressão crescente do calvinismo estrito. Em 1610, liderados por nomes como Johannes Uytenbogaert e Simão Episcópio, redigiram um documento de protesto — a Remonstrância —, o que lhes valeu o nome de "remonstrantes". O manifesto resumia o arminianismo clássico em cinco pontos: a eleição condicional, fundada na presciência divina; a expiação universal, em que Cristo morre por todos, ainda que sua obra seja eficaz apenas nos que creem; a depravação total, segundo a qual o ser humano não pode salvar a si mesmo; a necessidade absoluta da graça preveniente para capacitar a vontade; e, por fim, a possibilidade real de se resistir à graça do Espírito Santo.
A reação mergulhou os Países Baixos numa crise teológica, política e social. O debate culminou no Sínodo de Dort (1618–1619), convocado sob autoridades dominadas pela facção calvinista gomarista. O sínodo se revelou um julgamento severo e unilateral: os remonstrantes foram tratados como réus, impedidos de defender plenamente suas posições e condenados como hereges. Como resposta aos cinco pontos arminianos, Dort formulou os Cânones de Dort, com seus próprios cinco capítulos de doutrina: depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível e perseverança dos santos.
Vale aqui um pequeno parêntese histórico. O famoso acróstico TULIP, que costuma resumir esses cinco pontos em inglês, não nasceu em Dort. Trata-se de uma criação bem posterior — surgida apenas no início do século XX, em solo norte-americano — e que, portanto, não foi cunhada pelos delegados do sínodo. O que Dort produziu foram os Cânones; o acróstico veio quase três séculos depois.
Encerrado o sínodo, seguiu-se um período de dura perseguição. Pastores e professores remonstrantes foram destituídos, exilados ou presos. Figuras políticas que os apoiavam pagaram caro: o estadista Johan van Oldenbarnevelt foi executado, e o jurista Hugo Grócio, condenado à prisão perpétua — da qual, mais tarde, conseguiu escapar. Ainda assim, o arminianismo sobreviveu no exílio. Com a morte do príncipe Maurício de Nassau, em 1625, a intolerância arrefeceu, os remonstrantes puderam retornar e fundaram um seminário em Amsterdã.
O ápice com Wesley
Nos séculos seguintes, a teologia arminiana ultrapassou as fronteiras holandesas. Seu maior catalisador veio no século XVIII, com John Wesley e o movimento metodista na Inglaterra, que simplificou e espalhou o arminianismo clássico pelo mundo, tornando-o uma das correntes mais influentes do protestantismo.
Tudo isso revela algo importante: o arminianismo nunca foi uma teologia criada do nada, nem o produto isolado do intelecto de um único homem. Foi a confluência de pensamentos que, ao longo de séculos, foram moldando a fé cristã.
A grande virada, de fato, foi Wesley — precursor do metodismo e do movimento de santidade, que mais tarde influenciaria o surgimento de muitas denominações. Não por acaso, há quem o chame de o maior arminiano depois do próprio Armínio. Wesley não apenas defendeu o arminianismo clássico dos primeiros remonstrantes; ele também o desenvolveu, dando origem à teologia arminiano-wesleyana, que sustenta os cinco pontos da Remonstrância e, ao mesmo tempo, avança sobre áreas que até então não haviam sido elaboradas com clareza. E o movimento não parou nele: o impulso de santidade se espalhou pelo mundo e ajudou a dar forma a tradições metodistas, ao movimento de santidade e, mais adiante, às correntes pentecostais e carismáticas — cada qual contribuindo, à sua maneira, para o desenvolvimento do pensamento arminiano.
O cerne que une tudo
Desde a patrística, portanto, percebemos que a teologia é viva e segue amadurecendo. Isso é um tesouro da graça de Deus: a possibilidade de pensar sobre Ele. Mas o cerne de toda teologia precisa ser sempre a Escritura. Enquanto o pensamento permanecer fiel a ela, podemos dizer que a teologia se desenvolve de forma saudável. É perfeitamente possível, aliás, sustentar interpretações diferentes de um mesmo texto secundário — sobre doutrinas que não são basilares — sem que daí nasça qualquer heresia. É o caso do antigo debate entre pedobatistas e credobatistas a respeito do batismo infantil, ou das discussões sobre organização eclesiástica, usos e costumes.
Ser arminiano, então, é pertencer não a um grupo preso ao pensamento de um único homem, mas a um movimento vivo — sustentado pela graça de Deus — que começou com os pais da Igreja, atravessou a Idade Média, teve seu principal desenvolvimento com Armínio e seus seguidores e alcançou o ápice com Wesley.
Mas, como eu disse no começo, a teologia em desenvolvimento é sempre um galho de uma árvore. E, por mais que existam diferenças entre as denominações de origem arminiana, sempre haverá doutrinas que funcionam como raízes — aquelas que, apesar de toda a evolução do pensamento, permanecem intactas e sustentam a árvore inteira. No arminianismo, essas raízes são os cinco artigos que os primeiros remonstrantes apresentaram formalmente em 1610.
Os Cinco Artigos da Remonstrância
Os Cinco Artigos organizam, com notável lógica, a "engrenagem" da salvação a partir da perspectiva arminiana clássica.
O primeiro trata da eleição condicional: antes da fundação do mundo, Deus escolheu para a salvação, em Cristo, aqueles que — pela graça — creriam no Evangelho e perseverariam na fé; uma decisão fundada em sua presciência eterna, e não em um decreto arbitrário.
O segundo, a expiação universal, afirma que Cristo morreu por toda a humanidade, tornando a salvação disponível a todos, embora sua eficácia se aplique apenas a quem crê.
O terceiro reconhece a depravação total: em seu estado caído, o ser humano está inteiramente sem forças espirituais, incapaz de querer ou de praticar qualquer bem verdadeiro por si mesmo.
É nesse cenário que entra o quarto artigo, a graça preveniente: a graça que opera no ser humano antes, durante e depois da conversão, despertando e capacitando a vontade para cooperar com o Espírito Santo — uma graça que, de modo decisivo, não é irresistível e pode ser rejeitada pelo livre consentimento humano.
Por fim, o quinto artigo trata da perseverança dos santos: o Espírito concede ao crente o poder de vencer o pecado e permanecer firme, ainda que o documento original tenha deixado em aberto a possibilidade de que alguém, por negligência e escolha própria, venha a apostatar e perder a salvação.
Os FACTS: a Remonstrância em cinco letras
Séculos depois, esses cinco artigos ganharam uma síntese em inglês: o acróstico FACTS, criado e difundido pela Society of Evangelical Arminians (Sociedade de Arminianos Evangélicos), com uma exposição detalhada escrita pelo teólogo Brian Abasciano, como resposta direta ao TULIP calvinista. ("Preferimos fatos a flores", brincam seus autores.) Cada letra resume um ponto do arminianismo clássico:
F — Freed by Grace (Libertados pela Graça). Corresponde à graça preveniente. Por estar espiritualmente morto e escravizado, o ser humano precisa que a graça de Deus tome a iniciativa de libertar a sua vontade aprisionada, para que então possa responder ao Evangelho.
A — Atonement for All (Expiação para Todos). O sacrifício de Cristo na cruz alcança toda a raça humana, tornando a salvação genuinamente disponível a qualquer pessoa, ainda que o benefício se torne eficaz apenas na vida de quem crê.
C — Conditional Election (Eleição Condicional). A escolha de Deus se fundamenta em sua presciência eterna: Ele previu, antes da criação do mundo, quem responderia ao seu chamado cooperando com a graça — em contraste com uma eleição incondicional ou arbitrária.
T — Total Depravity (Depravação Total). Por si mesmo, o ser humano não possui mérito nem capacidade natural para dar o primeiro passo em direção a Deus. É a falência moral da natureza humana após a queda — e é ela que torna necessária a libertação anunciada na primeira letra.
S — Security in Christ (Segurança em Cristo). O crente encontra plena segurança em Cristo para vencer as tentações; ao mesmo tempo, a ação do Espírito respeita a agência humana e pode ser rejeitada, permanecendo o alerta bíblico de que a negligência e a rebeldia deliberada podem levar à apostasia.
Repare como o T e o F caminham juntos: um descreve a condição (a depravação), o outro, o remédio de Deus (a graça que liberta a vontade para crer). São as duas faces da mesma realidade — e talvez por isso, com frequência, sejam confundidos.
Respondendo à pergunta
Na minha visão teológica, por mais que existam galhos diversos dentro do pensamento sinergista, são justamente os cinco pontos da Remonstrância — e o acróstico FACTS que os resume — que definem se alguém é, ou não, um cristão arminiano. Todo o restante é secundário.
Acredito que tanto os cinco artigos quanto os FACTS representam aquilo que a teologia arminiana sempre foi: antes de Armínio, com ele em vida, depois dele com os primeiros remonstrantes e, por fim, com Wesley e tantos outros que vieram na sequência.
Respondendo, então, à pergunta de origem: ser arminiano é manter-se fiel a esses princípios, sabendo que as demais considerações são secundárias. Haverá, no meio arminiano, pessoas que pensam de modo diferente sobre muitos temas — e isso é bom. É desse debate saudável que nasce um crescimento igualmente saudável na fé.
Referências
ABASCIANO, Brian. The FACTS of Salvation: A Summary of Arminian Theology / the Biblical Doctrines of Grace. Society of Evangelical Arminians. Disponível em: evangelicalarminians.org.
AMBRÓSIO DE MILÃO. Comentário ao Evangelho de Lucas (Expositio Evangelii secundum Lucam).
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ARMÍNIO, Jacó (ARMINIUS, James). The Works of James Arminius. Tradução de James Nichols e William Nichols. 3 v. Grand Rapids: Baker, 1996.
BERNARDO DE CLARAVAL. A Graça e o Livre-Arbítrio (De gratia et libero arbitrio).
BOETTNER, Loraine. The Reformed Doctrine of Predestination. 1932. (Primeira ocorrência documentada do acróstico TULIP; a ideia costuma ser atribuída a uma palestra de Cleland B. McAfee, de 1905.)
CIPRIANO DE CARTAGO. A Quirino: Três Livros de Testemunhos (Ad Quirinum / Testimonia).
CLEMENTE DE ROMA. Primeira Epístola aos Coríntios.
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OLSON, Roger E. Teologia Arminiana: mitos e realidades. Tradução de Wellington Carvalho Mariano. São Paulo: Reflexão, 2013. (Original: Arminian Theology: Myths and Realities. Downers Grove: InterVarsity Press, 2006.)
OLSON, Roger E. Contra o Calvinismo. São Paulo: Reflexão.
OS CINCO ARTIGOS DA REMONSTRÂNCIA (1610) e OS CÂNONES DO SÍNODO DE DORT (1618–1619). In: SCHAFF, Philip. The Creeds of Christendom, v. III.
SOCIETY OF EVANGELICAL ARMINIANS. An Outline of the FACTS of Arminianism vs. the TULIP of Calvinism. Disponível em: evangelicalarminians.org.
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TERTULIANO. Sobre o Arrependimento (De Paenitentia).
WESLEY, John. The Question, "What Is an Arminian?" Answered by a Lover of Free Grace (1770). In: The Works of John Wesley.